Quinta-feira, 8 de Julho de 2010

...

Era uma vez, duas pessoas, tal como as histórias de amor contam, simplesmente duas pessoas que se cruzaram, numa ocasião por intervenção do desconhecido. Diferentes uma da outra, mas unidas pelo sentimento. A mais especial e única, era uma pessoa altiva e de uma beleza não só física, mas também de pensamento. Com os seus olhos pretos, a tez morena e um grande sorriso sempre pronto encantava o mais simples objecto do mundo. O seu interior fazia jus á sua beleza exterior, simpática e humilde, verdadeira e corajosa, amiga e afável. A outra, mais perto do banal, era de olhos verdes, a tez mais esbranquiçada, e uma postura derrotista. O seu interior encontrava-se triste e sem razões para continuar.

 

Um dia, cruzam-se, não ficaram indiferentes uma à outra. As primeiras impressões são trocadas. A diferença que separava ambas foi a força da sua união, estabeleceram-se laços, criaram-se ligações. Tudo se tornou uma forte amizade rapidamente. Talvez por se sentir fragilizada a pessoa mais banal deu o seu coração à mais altiva, enquanto esta entregou a sua mão apenas. Um negócio que se viria a tornar perigoso. Esta pequena troca consolidou. A intimidade aumentou. A amizade foi crescendo e tudo se tornava belo, ou pelo menos parecia.

Estarem juntas era um momento único, a euforia subia, uma euforia boa que não precisava de limites. Uma altura em que sentimentos transbordavam, em que o amor simplesmente era o bastante. Onde nada era ilusão, e a realidade estava ali, correndo mais rápida do que o tempo, nunca sendo aqueles encontros suficientes para tamanho sentimento.

 

Visto com uma num milhão, a pessoa altiva despertava coisas na mais banal, coisas lindas, coisas que o deixavam alegre, alegria transbordante que a fez ganhar um sorriso, uma nova vontade de continuar. Não conseguindo conter estes manifestos e como forma de dizer o quanto a amava decide usar um dom escondido que essa própria pessoa desconhecia: o da escrita. Cada palavra, cada frase era como uma melodia de amor que ela sentia pela pessoa altiva.

 

Tudo parecia perfeito neste conto de fadas. Mas nem sempre a bonança permanece. Longos eram os tempos em que o tal amor era pacífico. Sucediam-se agora as desconfianças, o afastamento, a fragilidade. Talvez desorientada pelo ciúme e pelo medo da perda, a mais banal decide usar o seu lado mais negro e mais podre. Tudo resultou no contrário do que ela esperava.

 

O castelo de amor construído começou por perder, pedra a pedra todo o seu sustento. Adivinhava-se o fim. O sentimento que outrora fora magnifico não se perdera por parte da mais banal, que tomando consciência do que havia feito se redime a ela própria.

Terá sido a entrega do coração da pessoa banal a esta relação suficiente para a aguentar? Todo este sonho de cristal se partiu, a pessoa altiva partiu e fugiu com o coração da pessoa outrora amada, para um reino onde cristal é mais valioso que diamante, e onde a pessoa mais banal nem sequer existe.

 

Agora simplesmente uma amizade, uma simples e imaginária ”amizade” existe entre eles. A banal tenta a todo o custo reerguer o castelo sob novos alicerces, mas a altiva parece ter encontrado alguém com quem reconstruir esse castelo.

De novo a infelicidade abate-se sobre a mais banal que apenas queria encontrar respostas para perguntas como: “ Teremos uma segunda oportunidade?”, “ Poderemos ser felizes outra vez juntos?”.

 

O silêncio é a única resposta que obtém. E as lágrimas escorrem pelo seu rosto amargurado pela dor, e pelo simples fantasiar de uma amizade.

Como sempre nem todos os contos de fadas têm um final feliz. E este nunca saberá o que é ser feliz verdadeiramente.

 

 

publicado por butiamadreamer às 22:17
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2 comentários:
De -eu- a 10 de Julho de 2010 às 22:10
Pudesse eu estar por perto para poder limpar essas lágrimas...


De butiamadreamer a 11 de Julho de 2010 às 12:25
Desculpa mas quem és tu -eu-?


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